Escreveram-me
14/05/15
26/11/14
The New Poetry Handbook
THE NEW POETRY HANDBOOK
by Mark Strand
1 If a man understands a poem,
he shall have troubles.
2 If a man lives with a poem,
he shall die lonely.
3 If a man lives with two poems,
he shall be unfaithful to one.
4 If a man conceives of a poem,
he shall have one less child.
5 If a man conceives of two poems,
he shall have two children less.
6 If a man wears a crown on his head as he writes,
he shall be found out.
7 If a man wears no crown on his head as he writes,
he shall deceive no one but himself.
8 If a man gets angry at a poem,
he shall be scorned by men.
9 If a man continues to be angry at a poem,
he shall be scorned by women.
10 If a man publicly denounces poetry,
his shoes will fill with urine.
11 If a man gives up poetry for power,
he shall have lots of power.
12 If a man brags about his poems,
he shall be loved by fools.
13 If a man brags about his poems and loves fools,
he shall write no more.
14 If a man craves attention because of his poems,
he shall be like a jackass in moonlight.
15 If a man writes a poem and praises the poem of a fellow,
he shall have a beautiful mistress.
16 If a man writes a poem and praises the poem of a fellow overly,
he shall drive his mistress away.
17 If a man claims the poem of another,
his heart shall double in size.
18 If a man lets his poems go naked,
he shall fear death.
19 If a man fears death,
he shall be saved by his poems.
20 If a man does not fear death,
he may or may not be saved by his poems.
21 If a man finishes a poem,
he shall bathe in the blank wake of his passion
and be kissed by white paper.
20/11/14
Em Portugal Há um Julgamento Estranho da Modéstia
Acho que em Portugal há um
julgamento estranho da modéstia. Batem-se palmas a quem basicamente diz
que não é muito bom a fazer o que faz. E quando alguém diz que tem
confiança no que faz, utiliza-se uma palavra pejorativa: arrogante. Eu
claramente tenho confiança no que faço, e nesse aspecto não sou modesto.
Agora, precisamente porque tenho essa confiança não me passa pela
cabeça falar mal de alguém. Não por eu ser um coração maravilhoso, mas
porque seria perder tempo precioso para aquilo que tenho de fazer.
Gonçalo M. Tavares
23/10/14
22/10/14
A sombra do que fomos
"Nunca confies na memória porque está sempre do nosso lado: suaviza a atrocidade, dulcifica a amargura, põe luz onde só houve sombras. A memória tende sempre à ficção."
Luís Sepúlveda, A sombra do que fomos
18/11/13
Os joelhos
Os teus joelhos dedicados como bichos
Tão exactamente debaixo da mesa guardas os joelhos!
Tão exactamente debaixo da mesa guardas os joelhos!
Manuel António Pina
01/09/13
The Rainbow
My heart leaps up when I behold
A rainbow in the sky:
So was it when my life began;
So is it now I am a man;
So be it when I shall grow old,
Or let me die!
The Child is father of the Man;
And I could wish my days to be
Bound each to each by natural piety.
A rainbow in the sky:
So was it when my life began;
So is it now I am a man;
So be it when I shall grow old,
Or let me die!
The Child is father of the Man;
And I could wish my days to be
Bound each to each by natural piety.
William Wordsworth
21/08/13
Cuidados Intensivos IX
«Apaga a luz. Guarda-me os óculos. Obrigado.
Como se chamava o homem da lavandaria,
o que trazia sempre a roupa trocada
e um dia trouxe uma camisa dele próprio
e a deixou ficar lá em casa mais de um mês
à espera que a mandássemos outra vez para lavar,
a ver se a recuperava?
(Ao fim de cinco semanas,
a mulher perdeu a paciência
e veio por ele e pela camisa, que ainda
estava dentro do saco de plástico
no guarda-fatos; era igual à minha, azul,
talvez de um azul menos óbvio mas, de qualquer modo, azul).
Lembrei-me dele porque
Lembrei-me dele porque
quando morreu tu disseste:
«Coitado, pode ser que acerte
com o caminho do céu!»
Tinha uns óculos de lentes grossíssimas,
e não me admiraria que a sua morte
tivesse sido, mais que morte, algum erro de paralaxe.
Agora, sem óculos, como saberá ele
se está vivo ou se está morto?»
Manuel António Pina
12/07/13
Agora compreende
Nunca, nem por uma vez, sentira a presença de Elsie desde a sua morte. Viu-a dar o seu último suspiro e depois o mundo mudou. Ela tinha partido.
Mas ele sente a sua ausência, a toda a hora.
está lá, em coisas específicas:
a depressão na cama, onde ela se costumava deitar,
a forma da racha no vaso que ela deixou cair,
e está em todo o lado:
no ar à sua volta,
na cor da noite no seu quarto,
nas formas que vê no interior das pálpebras.
Agora compreende. A nossa ausência é o que resta de nós.
Catherine O'flynn, Vai Dando Notícias
Mas ele sente a sua ausência, a toda a hora.
está lá, em coisas específicas:
a depressão na cama, onde ela se costumava deitar,
a forma da racha no vaso que ela deixou cair,
e está em todo o lado:
no ar à sua volta,
na cor da noite no seu quarto,
nas formas que vê no interior das pálpebras.
Agora compreende. A nossa ausência é o que resta de nós.
Catherine O'flynn, Vai Dando Notícias
23/02/13
Da Condição Humana
Todos sofremos.
O mesmo ferro oculto
Nos rasga e nos estilhaça a carne exposta
O mesmo sal nos queima os olhos vivos.
Em todos dorme
A humanidade que nos foi imposta
Onde nos encontramos, divergimos.
É por sermos iguais que nos esquecemos
Que foi do mesmo sangue,
Que foi do mesmo ventre que surgimos.
Ary Dos Santos
20/02/13
Untitled Poem
All the poems have wolves in it, all but one.
The most beautiful one of all:
"She dances in a ring of fire...
and throws off the challenge with a shrug"
Jim Morrison
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